Formação de professores e as TIC – entrevista

Primeira parte da entrvista para o Conexão Zuggi. http://conexaozuggi.com.br/

BY  EQUIPE_ZUGGI

 – MARCH 29, 2012


No “Zuggi Entrevista” de hoje conversamos com Gládis Leal dos Santos – Supervisora de Tecnologias na Educação da Secretaria Municipal de Educação de Joinville, Tutora de cursos EAD. Nesta primeira parte, Gládis nos fala sobre o papel ativo na formação dos professores, as principais dificuldades e se a tecnologia pode mudar o modelo atual. Confiram abaixo:

   

1- Sabemos que você tem um papel ativo na formação de professores em tecnologia educacional. Você acredita que houve ou precisa haver uma mudança no papel do professor nesta Era da Tecnologia?

As mudanças ou avanços potencializados pelas novas tecnologias em todos os setores da sociedade são claramente visíveis. Estão presentes em nosso dia-a-dia quando utilizamos um caixa eletrônico, quando vamos às compras e pagamos com o cartão de crédito, no supermercado, no posto de gasolina, nos celulares cada vez mais avançados, na forma como nos relacionamos com as pessoas através das redes sociais, na rapidez com que as notícias de todos os cantos do mundo chegam até nós praticamente em tempo real através de vídeos feitos com celulares pelos cidadãos comuns, testemunhas oculares de eventos naturais, políticos, religiosos e tantos outros.
Se tudo a nossa volta está em constante transformação assim como o modo como as pessoas, hoje, interagem utilizando as mais diversas tecnologias, não é possível que a escola e o professor ignorem esta realidade. De certa forma, corremos o risco de vermos nossas escolas marginalizadas se insistirem em repetir apenas o modelo industrial de transmissão de conteúdos, enquanto nos locais de trabalho, nas comunidades, em casa e em todas as partes, as pessoas utilizam as modernas tecnologias de informação e comunicação que vão rapidamente abrangendo todas as camadas sociais.
É preciso que nós, professores, repensemos nosso papel diante de tantas e tão rápidas transformações. As crianças, hoje, não têm mais no professor a única fonte de conhecimento e o modo como aprendem também não é mais o mesmo. A tecnologia pode fornecer acesso a outras fontes que vão além da sala de aula e dos livros didáticos. O modelo professor-ensina/aluno-aprende (?) memoriza e repete, já não faz sentido para esta geração que interage através da rede. Estes alunos devem ser desafiados e estimulados a construírem novos conhecimentos tendo o professor como orientador, aquele que indica o caminho, que questiona, instiga e ajuda os alunos a descobrirem novas possibilidades, a formularem novas questões de interesse a respeito de um assunto proposto inicialmente.
Isto não significa que o papel do professor tenha de mudar radicalmente. Professor sempre será professor, sempre terá seu lugar na vida do aluno. E ele pode se tornar um facilitador da aprendizagem incorporando a sua prática pedagógica diversas estratégias e recursos tecnológicos que auxiliem a aprendizagem dos alunos, alternando com momentos em que trabalhará os conteúdos de forma “tradicional”. Não podemos radicalizar e achar que o ideal é que tudo parta do interesse do aluno e que o uso das TIC garantirá a efetiva aprendizagem. É importante saber equilibrar o uso dos recursos mais adequados a cada situação e a escolha da metodologia a ser utilizada é de competência do professor.
Tudo na vida se transforma e se adequa às necessidades e ao momento histórico. O mesmo está acontecendo com o papel do professor.

2 – Quais são as principais dificuldades dos professores com a utilização das TICs em sala de aula? E como você acredita que elas poderiam ser solucionadas?

Durante os nove anos em que trabalhei como professora de Sala de Informática Pedagógica e, nos últimos três anos, como formadora, tenho constatado claramente que a grande dificuldade é falta de habilidade no uso das TIC e, consequentemente, o desconhecimento de suas potencialidades como aliadas ao processo de ensino e de aprendizagem. Um professor que não tem uma conta de e-mail ou que não acessa a internet para uso pessoal, não percebe as possibilidades pedagógicas destes recursos. Vejamos um exemplo bem simples: se o professor pedir que os alunos lhe enviem por e-mail um texto produzido em sala, digitado num editor de texto e ilustrado com fotos tiradas com os celulares sobre um passeio de estudo para publicar no blog da turma, o envolvimento dos alunos será naturalmente maior do que se o mesmo trabalho for solicitado por escrito, numa folha de papel almaço, ilustrado a mão ou com figuras recortadas de uma revista. Há uma diferença entre produzir seu próprio material: fotografar, filmar, gravar, entrevistar, digitar, editar e socializar ou apenas reproduzir o que já está pronto e entregar ao professor para avaliação.
Se a formação dos professores continuar a prepará-los como sempre fez, sem levar em conta que as tecnologias fazem parte da vida e, portanto, precisam fazer parte da escola, os professores chegarão às escolas despreparados para lidar com esta realidade. É preciso prepara-los de forma diferente para que pensem em como proporcionar aos alunos uma aprendizagem em rede, extrapolando os limites da sala de aula. As TIC abrem as portas para o mundo, permitindo aos alunos o acesso a bibliotecas, a estudantes e professores de qualquer lugar do planeta com os quais podem desenvolver projetos em parceria.
Por outro lado, os cursos de formação continuada docente têm sido cada vez mais, ofertados pelas instituições públicas e particulares aos professores numa tentativa de suprir as deficiências de sua formação inicial. Estes cursos são importantes, os professores sentem-se mais valorizados, trocam experiências, aprendem e voltam à escola com novas ideias e mais seguros para utilizar as TIC.
Mas isso só não basta. Não adianta oferecer cursos e mais cursos a professores que são mal remunerados e que, para receber um salário razoável, ministram 40 a 60h/aula semanais. Estudo e atualização constante também devem partir da iniciativa do professor, mas exigem tempo, dedicação e condições de trabalho apropriadas.

3- Você acredita que a tecnologia pode ou deve mudar o modelo de escola atual?

Acho que já está acontecendo uma evolução natural e gradativa no modelo de escola atual e as tecnologias têm um papel importante como aceleradoras desse processo. Mudar o que já está estabelecido não é tarefa fácil e nem acontecerá de uma hora para outra. Não basta equipar as escolas com os recursos tecnológicos mais avançados sem investir em formação docente e nem repensar a organização curricular, temporal e espacial da escola. Através de sua integração em todos os currículos é que o potencial das TIC será efetivamente aproveitado, favorecendo as mudanças necessárias nos diversos níveis de ensino.

Fiquem ligados,  nas próximas semanas postaremos a Parte 2 da entrevista.

Um abraço.

Fonte: http://conexaozuggi.com.br/?p=1972

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1 comentário

Arquivado em educação, internet, mídias, professor, tecnologias

Uma resposta para “Formação de professores e as TIC – entrevista

  1. O curso foi extremamente enriquecedor. A prática e a teoria são fundamentais para o sucesso. Na minha concepção foi muito importante em todos os sentidos, dúvidas sanadas através de colegas, da tutora enfim permitiu ampliar os horizontes. Todos as atividades que foram objetos de estudo
    pertinentes a aplicabilidade no cotidiano no contexto da escola e podem ser aplicados numa perspectiva interdisciplinar, ou seja, podendo dialogar com as várias áreas do conhecimento. Enfim, foram momentos marcantes que ficaram registrados na minha caminhada, enquanto professor, enquanto aprendiz, enquanto formador de opinião.

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