Arquivo do mês: maio 2012

Sobre EAD e a internet nas pesquisas escolares

Aí vai a segunda parte de minha entrevista para o site do Zuggi.

No “Zuggi Entrevista” de hoje postamos a segunda parte da entrevista com Gládis Leal dos Santos (leia aqui a primeira parte). Neste trecho, Gládis  nos conta quais as principais vantagens e desvantagens da Educação à Distância, como a pesquisa na internet deve ser utilizada na sala de aula e por fim, qual o papel da pesquisa no desenvolvimento dos alunos: 

1- Em sua opinião, quais as principais vantagens e desvantagens da           Educação à Distância (EAD)?

Quando pensamos em EAD, hoje, pensamos em educação online. Através da internet temos acesso aos mais variadas tipos de cursos, desde cursos livres a especializações em praticamente todas as áreas. A oferta de cursos na modalidade EAD tem crescido notavelmente. O programa Universidade Aberta, do Governo federal, “busca ampliar e interiorizar a oferta de cursos e programas de educação superior, por meio da educação a distância. A prioridade é oferecer formação inicial a professores em efetivo exercício na educação básica pública, porém ainda sem graduação, além de formação continuada àqueles já graduados” (portal.mec.gov.br).
Para muitos professores esta é uma oportunidade única, em virtude de dificuldades tanto financeiras como de falta de oferta de cursos presenciais em suas cidades. Nesta modalidade de estudo o aluno organiza seu tempo e pode realizar os estudos em casa, no trabalho ou onde tiver acesso à internet, economizando tempo e dinheiro.
Além disso, as aulas online beneficiam pessoas com mobilidade limitada, como cadeirantes, por exemplo. A maioria das aulas são assíncronas. Os materiais e tarefas podem ser baixados e enviados ao professor através do ambiente EAD até a data marcada. Deste modo, o cursista não precisa ficar conectado à internet durante todo o tempo de estudo.
Outra vantagem que considero importante é que o aluno desenvolve a autonomia ao mesmo tempo que tem a oportunidade de participar de uma comunidade de aprendizagem em rede. Ele interage com pessoas de outras localidades, outras realidades, onde todos constroem novos conhecimentos através da contribuição de cada um.
A EAD também promove a inclusão digital. Os alunos aprendem a utilizar ferramentas de comunicação assíncronas como os fóruns e e-mail e síncronas como chats, comunicadores instantâneos e videoconferências. Nesta modalidade a relação professor-aluno também se modifica podendo até mesmo se tornar mais próxima já que a principal função do professor não é a de ensinar, mas a de ajudar o aluno a aprender.
Mas o formato EAD não é ideal para todos os alunos. Quem prefere o contato presencial sentirá falta deste tipo de interação social. Poderá se sentir sozinho e perdido num ambiente pouco amigável. O ensino online requer capacidade de adaptação às novas tecnologias. Aqueles que tem dificuldade em utilizar o computador e a internet tendem a se desmotivar e abandonar o curso. Além disso, o estudo a distância exige muita disciplina, comprometimento e organização do tempo. Alunos que deixam as atividades acumularem e perdem prazos também são fortes candidatos à desistência.
A evasão é um dos grandes desafios a serem vencidos na EAD, principalmente nos cursos ofertados gratuitamente.

2 – Ano passado você ministrou o curso “Pesquisa na internet – o papel do professor” do portal Educarede. Como, em sua opinião, a pesquisa na internet deve ser utilizada na sala de aula? Qual o papel da pesquisa no desenvolvimento dos alunos?

As crianças são naturalmente pesquisadoras. Desde muito cedo, começam a nos questionar o por quê das coisas, como elas funcionam, de onde vem, como são feitas e por aí afora. Na Educação Infantil, os professores costumam estimular este espírito investigativo através de várias atividades e projetos didáticos em que acompanham e orientam os pequenos em suas descobertas.
Já no Ensino Fundamental, muitas vezes, essa prática se perde. As pesquisas passam a ser solicitadas como tarefas de casa, e aí sabemos o que acontece: sem orientação, os alunos simplesmente copiam da internet da mesma forma como, antes, copiávamos das enciclopédias. E quando se trata de alunos das séries iniciais, quem acaba fazendo o trabalho de pesquisa é o pai ou a mãe. Qual o objetivo desse tipo de trabalho? O que se espera que o aluno aprenda com este tipo de prática? Para que os alunos aprendam a pesquisar na internet assim como em livros, jornais, revistas que também devem ser usados, é preciso que a atividade seja desenvolvida em sala de aula, com o acompanhamento do professor. Antes de qualquer coisa, o professor precisa planejar a pesquisa, verificar as fontes e elaborar um roteiro com questões sobre o assunto. Dependendo do nível da turma é aconselhável que também indique os sites. Na internet é muito fácil perder o foco do trabalho, por isso, um roteiro bem elaborado ajuda muito.
Muitas vezes, os professores acham que os adolescentes não precisam deste tipo de acompanhamento porque são usuários da internet. Mas não é bem assim. Quando de trata de pesquisa é preciso que aprendam a tirar o melhor proveito dos mecanismos de busca, que observem a confiabilidade das fontes, que entendam que nem tudo o que está na internet é verdadeiro, que aprendam a citar as fontes de pesquisa na internet e que respeitem os direitos autorais.
As atividades de pesquisa, quando bem planejadas e orientadas, desenvolvem o pensamento crítico, a resolução de problemas e a tomada de decisões. Os alunos aprendem a encontrar as informações e selecionar o que é relevante e descartar o que irá afastá-los do objetivo do trabalho. É preciso que eles aprendam a usar a internet para analisar as informações e não apenas localizá-las.

Também é importante que os alunos tenham claro o que se espera deles e como será socializado o resultado da pesquisa. As informações podem ser remixadas, transformadas, ampliadas e apresentadas das mais diferentes formas. Apresentações teatrais sobre um fato histórico, por exemplo, exigirão que os alunos compreendam o conteúdo para poder transformá-lo em uma representação cênica..

Ao acompanhar o desenvolvimento do trabalho de pesquisa, o professor tem a oportunidade de observar as dificuldades dos alunos e orientá-los durante o processo em vez de apenas avaliar o produto final.

Gládis Leal é Especialista em Língua Portuguesa e Mídias na Educação, ministra cursos e oficinas de formação continuada docente sobre o uso das TIC na Educação.

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Prêmio Microsoft Educadores Inovadores 2012

Estão abertas as inscrições do Prêmio Microsoft Educadores Inovadores 2012
Educadores de todo o Brasil já podem enviar seus projetos e garantir sua participação!

Estão abertas até o dia 06 de agosto as inscrições para a sétima edição do Prêmio Microsoft Educadores Inovadores, que valoriza e reconhece os melhores projetos educacionais desenvolvidos por professores brasileiros que utilizam a tecnologia para melhorar os processos de ensino e aprendizagem.

Para concorrer, basta acessar o site http://www.educadoresinovadores.com.br e seguir as instruções. Educadores de todo o Brasil podem se inscrever nas seguintes categorias:
1) Escolas Públicas de Educação Básica

Podem se inscrever individualmente educadores e gestores da rede pública de ensino, independentemente de sua área de atuação (ex. Português, Matemática, Física etc.): escolas públicas (municipais, estaduais ou federais), fundações e instituições de ensino sem fins lucrativos que atuem no Ensino Formal e não cobrem pelos serviços prestados. Também podem participar os educadores de escolas técnicas que lecionem disciplinas de educação básica como: Português, Matemática, Ciência etc.

• Inovação em Comunidade: Aprendizagem Além da Sala de Aula
• Inovação em Colaboração: Aprendizagem Colaborativa
• Inovação em Conteúdo: Construção do Conhecimento e Pensamento Crítico
Os educadores que se inscreverem em uma das três categorias acima poderão ser remanejados pelo Comitê de Seleção para duas categorias especiais: Inovação em Contextos Desafiadores e Uso Avançado de Tecnologias Microsoft na Aprendizagem. *Os projetos não irão necessariamente concorrer na mesma categoria em que estão inscritos.



2) Ensino Técnico – Educador Inovador Escola Técnica

Podem se inscrever individualmente educadores e gestores que lecionem disciplinas relacionadas à Tecnologia da Informação (TI) em escolas técnicas municipais, estaduais e federais.

3) Escolas Particulares – Educador Inovador Escola Particular
Podem se inscrever educadores de escolas particulares, instituições e fundações mantidas por recursos de empresas privadas que lecionem em qualquer disciplina.
Premiação

O Prêmio Microsoft Educadores Inovadores terá seus finalistas definidos até o dia 22 de agosto. Dentre os vinte e um projetos escolhidos, os vencedores de cada categoria participarão da etapa internacional.

Aqueles que apresentarem os melhores trabalhos serão premiados com um Notebook contendo o sistema operacional da Microsoft e um pacote de aplicativos Office. Assim, poderão dar continuidade na criação de novas ideias, beneficiando cada vez mais pessoas e compartilhando o gosto e o conhecimento pela tecnologia educacional. Além de uma bolsa de curso online de inglês pela empresa EF English Town.

Após a premiação, os responsáveis pelos projetos vencedores nas categorias destinadas à educação básica (escolas públicas) e o vencedor na Categoria Escolas Particulares, apresentarão seus trabalhos no Microsoft Partners in Learning Global Forum que será realizado em Atenas, na Grécia.

Para acompanhar as novidades do Prêmio, acesse: https://www.educadoresinovadores.com.br
Siga no Twitter: http://www.twitter.com/eduinova
Página no Facebook: http://www.facebook.com/eduinova
Dúvidas? Envie um e-mail para educadoresinovadores@hotmail.com

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Guias educativos do Canal Futura

O Canal Futura lançou em 2012 o projeto PDFs Educativos, que disponibiliza gratuitamente guias de atividades para o uso de programas de TV no processo de aprendizagem.

O material está disponível no site do Futura em www.futura.org.br/alem-da-tv/guias-educativos/ e é atualizado periodicamente de acordo com a grade de programas do canal. Atualmente, é possível encontrar sugestões de atividades para 25 programas de temas variados, como ciência (Globo Ciência), literatura (Umas Palavras, Afinando a Língua), cinema (Cine Conhecimento) e religião (Sagrado). O download dos guias pode ser feito a qualquer momento, sem a necessidade de cadastro.

O projeto PDFs Educativos faz parte dos esforços do Canal Futura para atuar nas plataformas digitais com iniciativas que colaborem para a difusão do conhecimento. Desde 2007, está no ar um serviço chamado Futuratec (www.futuratec.org.br), que oferece mais de 1500 episódios  de programas do acervo do canal para download.

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